Juros Compostos: Cartão de Crédito x Investimentos

Cartões de Crédito sobre a mesa

 

          Com o aumento da utilização do Cartão de Crédito, muitas pessoas passaram a prestar mais atenção nas taxas de juros cobradas. Isso porque em caso de inadimplência os juros são altíssimos! Além disso, os juros também são fundamentais para quem quer investir. Entender o poder desse conceito e sua aplicação é fundamental para garantir um futuro de sucesso.

               Nesse artigo vamos discutir um pouco sobre a questões dos juros em Investimentos e também na cobrança de Cartões de Crédito.

O que são juros?

 

           Juros é a remuneração cobrada de quem efetuou um empréstimo e deve pagar ao proprietário do capital emprestado. Por exemplo: Se você precisa de R$1000,00 e pega emprestado com alguém, provavelmente essa pessoa irá exigir que você pague a ela depois os R$1000,00 e mais alguma quantia. Essa quantia é o que chamamos de juros e ela é, geralmente, apresentada em forma de porcentagem.

            Uma taxa de juros deve remunerar baseada:

  • no risco da operação (quanto mais arriscado o investimento deve-se exigir taxas de juros proporcionalmente maiores);
  • nas expectativas inflacionárias (mesma situação anterior);
  • na compensação pela não utilização do dinheiro; e
  • nos custos administrativos envolvidos na operação.

 

Onde se aplicam os juros?

 

              Segundo o Sindicato dos Economistas de São Paulo – SINDECON-SP – através da Declaração em Defesa da Ciência Matemática Financeira, “a capitalização composta é a base dos cálculos utilizados nas operações de empréstimos, financiamentos e seguros, nas aplicações em cadernetas de poupança, títulos públicos e privados, FGTS, fundos de investimentos, fundos de previdência, fundos de pensão, títulos de capitalização e em todos os estudos de viabilidade econômica e financeira realizados no Brasil e nos demais países do mundo” [2].

            O objetivo desse artigo é mostrar a você como seu dinheiro pode ser multiplicado quando bem investido.   Note que na passagem citada anteriormente, capitalização composta significa a utilização de juros compostos como método de cálculo tanto para empréstimos e financiamentos como para investimentos, como na Poupança e Títulos Públicos. Mas o que são juros compostos?

 

Juros Simples x Juros Compostos

 

Observando por um binóculos um $              Vamos diferenciar dois conceitos de Matemática que são muito úteis para nós, desmistificando a máxima de que a Matemática da escola não serve para nada!

               Nas principais operações financeiras de investimento, utiliza-se o método de capitalização por juros compostos, que significa que a cada período os juros são calculados sobre o montante acumulado, ou seja, sobre o investimento inicial mais o juro acumulado do período anterior. Por exemplo, você aplica R$10000,00 na Poupança e no primeiro mês os juros (0,65% a.m. aproximadamente) te rendem o equivalente a R$65,00. No próximo mês, você receberá juros sobre todo o valor, R$10065,00, equivalente a R$65,42 e assim sucessivamente.

              Já em operações de juros simples, os juros são calculados sobre apenas o montante inicial, ou seja, apenas sobre o investimento inicial. No exemplo anterior, no primeiro mês você receberá os mesmos R$65,00. Mas nos próximos meses, você continuará recebendo R$65,00 ao invés de aumentar sucessivamente o ganho.

 

Exemplo:

 

          Vamos a um exemplo prático para analisarmos o impacto desses dois conceitos. João tem R$1000,00 em mãos e vai fazer uma aplicação em alguma modalidade de renda fixa, por exemplo, Tesouro IPCA+ 2019 com rentabilidade de 16,99% ao ano (consultado no dia 28/02/2016). Isso significa que, para esse investimento, os juros pagos para o investidor são de 16,99% a.a.. Simulando a utilização dos dois métodos, João terá o equivalente a:

 

Tabela com projeção do valor investido para 10, 20 e 30 anos

 

               Desse exemplo, podemos concluir que com apenas R$1000,00 investidos a uma taxa de juros de 16,99% a.a. é possível obter ganhos significativos, sem considerar que você ainda poderia continuar fazendo aportes regulares durante esse período. Mas esse ganho está totalmente atrelado ao tempo de resgate do seu investimento. Portanto, observe sempre qual será a melhor estratégia para seu objetivo, mas leve em consideração que quanto mais tempo você deixar seu capital investido, maior será a multiplicação do valor investido inicialmente.

 

É assim também para o Cartão de Crédito?

 

               Se você já esqueceu de pagar uma conta do seu Cartão de Crédito, deve ter notado o quanto se cobra por poucos dias de inadimplência do Cartão. Isso porque, enquanto estamos falando de taxas de cerca de 17% ao ano para investimentos, os juros do Cartão de Crédito podem chegar a incríveis 897,96% ao ano!

               Calma, calma! Estamos falando do Banco que mais cobra para emprestar dinheiro. Na média, essa taxa cai “um pouquinho”, para 400% ao ano. Ou seja, pense muito bem antes de deixar de pagar a fatura do seu Cartão.  Como dissemos anteriormente, essa taxa é aplicada para casos de inadimplência. As operadoras de Cartões de Crédito, geralmente, dão a opção de se pagar no mês uma quantia mínima, sendo o restante cobrado no próximo mês com incidência de outro tipo de juro. São os chamados Juros Rotativos, que são bem mais vantajosos do que os exorbitantes 400% ao ano. Você pode conferir a taxa de juros do seu Cartão de Crédito através do site do Banco Central do Brasil [1].

               Como nosso objetivo é mostrar o poder de multiplicação dos juros compostos nos seus investimentos, os Juros Rotativos, bem como o método utilizado em empréstimos e financiamentos, serão abordados em um artigo específico.

 

Fórmulas para Calcular Juros Compostos e Simples

 

               Fizemos o cálculo anteriormente para o caso do João, que queria Investir (I) R$1000,00 a uma Rentabilidade (R) de 16,99% a.a., analisando Períodos (P) de 10, 20 e 30 anos. Para saber o Montante (M) Final, utilizamos as seguintes fórmulas:

 

Fórmula de Cálculo de Juros Compostos e Juros Simples

 

Como converter a taxa de juros mensal ou anual

 

               Lembre-se que a Rentabilidade e o Período devem estar na mesma escala de tempo. Ao contrário do que alguns pensam, essa relação não é diretamente uma divisão (ou multiplicação) por 12 meses. Isso porque, como já vimos, aplicam-se os chamados juros compostos.

               Caso a Rentabilidade esteja em base anual, você pode utilizar a relação seguinte para converter a Rentabilidade Anual (RA) em Rentabilidade Mensal (RM) ou vice-versa.

Fórmula de Cálculo para conversão de Taxa Anual e Mensal

 

Conclusão

 

        Bem, agora você já deve saber que em hipótese alguma você pode deixar de pagar seu Cartão de Crédito! Se você parar para pensar, é uma questão de investimento. Não se pensa como investidor apenas quando se está ganhando. É preciso saber lidar com as dificuldades e com as adversidades. Traçar ações inteligentes é uma característica fundamental para construir uma trajetória sólida.

          Aqui vai uma dica: utilize o conceito de Juros Compostos ao seu favor! Faça o dinheiro trabalhar para você! Cada vez mais ele irá render ganhos maiores para que no futuro você possa desfrutar conforme seus objetivos!

               Esperamos que tenha gostado do artigo.

               Deixe seu comentário com dúvidas, críticas, sugestões e elogios.

              Até breve!

 

Referências

[1] http://www.sindecon-esp.org.br/arq_sys/neodownload/defesa150704.pdf

[2] http://www.bcb.gov.br/pt-br/sfn/infopban/txcred/txjuros/Paginas/RelTxJuros.aspx?tipoPessoa=1&modalidade=204&encargo=101

Deixe seu comentário com dúvidas, críticas, sugestões e elogios.